Uma questão que costuma atormentar todo síndico antenado é a questão do lixo nos condomínios.
Desde aqueles moradores que insistem em ignorar que o lixo é um dos maiores transtornos que pode haver num condomínio, envolvendo até mesmo questões de saúde e higiene, até as questões de como tratá-lo dentro das dependências do condomínio.
A primeira questão está logo no descarte do lixo das unidades. A discussão sobre a disposição de lixeiras nos andares de condomínios é algo antigo. Muitos corpos de bombeiro, por meio de instruções técnicas que atendem a decretos estaduais e municipais, proíbem a disposição de objetos nas escadas e saídas de fuga dos condomínios, evitando que eles interrompam a passagem em caso de um eventual incêndio.
A retirada das lixeiras dos andares é fundamental para a segurança. Uma prática comum é retirá-las no momento da vistoria do Corpo de Bombeiros e depois colocá-las no lugar novamente. Mesmo que o condomínio receba a renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros – AVCB, ou documento equivalente, se houver um incêndio e a irregularidade seja comprovada em caso de sinistro, existe a possibilidade do seguro não pagar pelas reformas do incêndio e o síndico ser penalizado criminalmente.
Mesmo que os síndicos entendam a importância da retirada das lixeiras, nem sempre esse processo é implantado de forma tranquila no condomínio. Muitos moradores se queixam de perder a comodidade gerada pela proximidade dos coletores, acabam se revoltando e jogando os resíduos nas escadas. Então, para auxiliar na implantação desse novo processo e aumentar sua eficácia, coloco aqui algumas dicas:
1 – O primeiro passo é encontrar um local adequado aos contêineres ou caixas que receberão os resíduos. Geralmente a garagem é um local de fácil acesso a todos os moradores, facilitando a implantação e aceitação do novo procedimento;
2 – É fundamental que a mudança seja acompanhada de comunicação. Os moradores devem ser avisados com boa antecedência sobre a retirada das lixeiras e sobre o novo local onde depositarão seus resíduos. A comunicação pode ser realizada por meio de banners, palestras ou comunicados nos quadros de aviso e elevadores;
3 – Também é importante que os funcionários estejam preparados para esclarecer possíveis dúvidas dos condôminos. O treinamento, seja ele de funcionários ou de moradores, é muito eficaz. Alem de explicar sobre o novo processo, ele pode abordar a importância da coleta seletiva. Já que o condomínio está em mudança, por que não a implementar e ser mais sustentável?
Outra questão cada vez mais atual é a coleta seletiva de lixo
Para que um projeto de coleta seletiva seja um sucesso, o primeiro passo é fazer um bom planejamento como qualquer outro projeto.O material reciclável, em sua maioria, tem um volume muito grande, portanto, é necessário um espaço para armazenar.
Os especialistas apontam que, em média, um apartamento com duas pessoas, produz um saco de 100 litros por semana de recicláveis. Com esses dados, você precisa ter certeza de quem irá coletar, e quantas vezes por semana.
Para se ter uma ideia mais precisa, baseada nessa projeção, um prédio com 50 apartamentos com perfil de 2 pessoas por apartamento terá o volume médio semanal de recicláveis de 5.000 litros.
A coleta ainda e sua separação é o grande impasse para a reciclagem conseguir deslanchar no Brasil. Na cidade de São Paulo são coletados diariamente pela prefeitura 17 mil toneladas de lixo, sendo que somente 2% serão destinados à reciclagem. Portanto, é melhor não depender do poder público. Contrate uma empresa qualificada ou uma cooperativa para a retirada, mas a separação é sempre de responsabilidade do condomínio.
É necessário o engajamento de todos e, para terminar, esqueça a ideia do passado de que os recicláveis irão gerar renda ao seu condomínio. Continuar batendo nessa tecla pode ser um fator que impeça a realização do projeto em seu condomínio e que, depois de implantado, pode gerar decepções.
Se houver possibilidade de gerar ganhos financeiros, quer seja para o condomínio, quer seja para os funcionários, ótimo, mas o síndico moderno não pode se dar ao luxo de ficar preso a questões menores e se preocupar com questões mais importantes, tais como a saúde, a higiene e o bem da coletividade.
Vivam a vida, e até a próxima.
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