Há algo errado no condomínio: patologias

Primeiro de tudo, precisamos explicar o que é uma patologia. Na construção civil, patologia é um problema que pode ocorrer por diversas causas: um projeto mal elaborado, uma execução incorreta, ou até um material inadequado. Além disso, a falta de manutenção periódica nos elementos da obra pode ser um indício de problemas futuros. Um sistema mal mantido também pode gerar fenômenos patológicos.

As vezes temos o material correto, o profissional capacitado, mas o projeto não está adequado para aquele sistema. Existem muitos problemas de infiltração porque o projeto previa o uso de manta asfáltica e ela não foi utilizada, ou foi aplicada de maneira inadequada.

A manutenção no condomínio é essencial, desde portas, vidros, aberturas, até toda a infraestrutura. Com projeto adequado, mão de obra qualificada, material correto e manutenção periódica, consegue-se reduzir muito o surgimento de patologias.

Muitas construções novas, com menos de cinco anos, já apresentam problemas. Certamente a origem está no projeto ou na execução.

Entre os problemas mais comuns estão as infiltrações, principalmente nas áreas em contato com o solo. Mas elas também ocorrem em apartamentos de cobertura e paredes externas. Antes de falar de infiltração, precisamos lembrar das normas técnicas, como a NBR 6118, que trata de estruturas de concreto armado. Ela deixa claro que o maior inimigo da estrutura é a água. Em fundações e estruturas em contato com o solo, é preciso proteger o aço. Muitas infiltrações até 1,80 m de altura, em paredes que encostam no solo, são causadas por falhas de projeto, execução ou impermeabilização.

Às vezes a impermeabilização foi feita corretamente na viga baldrame, mas o reboco chega até o solo e puxa a umidade, anulando todo o trabalho. É como quando encostamos a calça numa poça d’água: a água sobe. O mesmo ocorre com a parede. Outro problema comum é quando o terreno do vizinho fica mais alto e faz com que a água pressione a parede lateral do prédio.

As infiltrações nos pavimentos superiores, normalmente é resultado de técnica inadequada de impermeabilização. Alguns acreditam que só o telhado resolve, mas hoje os projetos arquitetônicos estão usando beirais menores ou escondidos. Uma chuva mais forte pode fazer a água retornar pela calha, principalmente se estiver entupida por folhas e sujeira. Quando a água invade a laje, ela acaba descendo pelo ponto mais frágil, normalmente luminárias, tomadas ou pelo gesso. Só percebemos quando o gesso já está amarelado ou cedendo.

No caso de utilização de manta, ela precisa ser muito bem aplicada: a laje deve estar regularizada, limpa e sem pontas que possam perfurar. As sobreposições devem ser corretas e os cantos não podem ser retos, elas precisam ter arredondamento para que a manta suba um pouco pelas paredes. Um erro clássico é a aplicação inadequada da manta no ralo. Quando a água escoa, se não estiver bem vedado, ela volta por baixo da manta. Após a aplicação, deve-se encher a área com 10 a 15 cm de água e deixar dois dias para verificar se há vazamentos.

Infelizmente é comum o problema aparece apenas depois de alguns anos. Às vezes a manta foi perfurada após a obra, por exemplo, por uma ferramenta que caiu. O estrago só aparece anos depois. Quando o cliente percebe, já está fora da garantia. Por isso, a execução correta é mais barata do que o retrabalho.

Qual seria sua dica principal para quem precisa impermeabilizar?

Não existe uma solução única para quem precisa impermeabilizar. Às vezes é melhor combinar manta e telhado. Quanto mais redundância, melhor a proteção. É como no carro: tem cinto, airbag, freio ABS. Na construção é igual.

Muita gente acha que a manutenção do telhado dura para sempre, mas não é assim. Ripas e caibros precisam ser revisados e trocados periodicamente, em média a cada 12 anos. Peças estruturais maiores entre 5 e 10 anos. Muitas vezes só se troca quando dá problema, o que já é manutenção corretiva.

As trincas são problema mais comum. Elas são como a febre no corpo humano: um sintoma. A origem pode ser térmica, estrutural, recalque de fundação, erro no projeto ou na execução. Nem toda trinca é grave, mas toda trinca merece atenção. Um profissional qualificado deve identificar se é um simples problema superficial ou algo mais sério.

Quanto ao reboco, muitas vezes é preciso refazer, afastando-o do solo. Em alguns casos, é preciso refazer até a impermeabilização. Cortes paliativos até funcionam, mas geralmente o problema retorna, porque pode haver outro ponto de infiltração não identificado.

Vivam a vida, e até a próxima.

Ivan Horcaio

Professor e palestrante com mais de 20 anos de atuação nas áreas do Direito Condominial e Direito Imobiliário, é autor de mais de 12 obras jurídicas, atuando junto a condomínios, administradoras de condomínios e imobiliárias

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