Diminuindo custos do condomínio

Com os tempos bicudos que estamos vivendo, o poder financeiro das pessoas, em maior ou menor grau, está comprometido. Não é difícil observar que isso pode refletir também na conta corrente dos condomínios.

            A folha de pagamentos e os encargos são os campeões dos custos no condomínio, segundo o Secovi, o sindicato da habitação, sendo possível diminuir as despesas com condomínio tomando algumas providências simples como avaliação constante do quadro de pessoal.

            Se o zelador, que é o funcionário mais caro do condomínio, faz muitas horas extras para cobrir a folga do porteiro, talvez valha a pena contratar um folguista e diminuir essa despesa. Diminuir a rotatividade do pessoal também ajuda a evitar gastos com indenizações trabalhistas e até mesmo processos judiciais.

            A média dos gastos de um condomínio bem administrado está assim distribuída: de 40% a 60% são destinados às despesas de folha, como salários e encargos; 20% a 30% são gastos com consumo de água, luz, gás, telefone. Aproximadamente 15% vão para contratos de manutenção, elevadores, bombas e seguros. E cerca de 10% são destinados às despesas administrativas, bancárias, fundos de reserva e pequenos reparos.

            Evitar que uma inadimplência eventual se torne crônica é outra medida importante, por isso, é fundamental que o condomínio entre em contato rapidamente com o condômino para saber o motivo da inadimplência e de que maneira será possível fazer o pagamento. Isso evita que os condôminos tenham que pagar cotas extras e também gastos com processos judiciais.

            Fazer avaliações anuais do quadro de funcionários e das escalas de trabalho pode reduzir a despesa com pessoal. Como base, é bom saber que, em média, um prédio pequeno tem seis funcionários: um zelador, um faxineiro, três porteiros para manter a portaria 24 horas e um folguista

            Contratar é mais caro e improdutivo que aperfeiçoar a equipe, pois exige tempo de treinamento. Demitir também representa gastos adicionais com verbas rescisórias, além do risco de processos trabalhistas

            Se os gastos com horas extras estiverem muito altos, é hora de repensar se não vale a pena contratar um outro funcionário.

            Fazer avaliações semestrais do quadro de funcionários e das escalas de trabalho pode reduzir a despesa com pessoal. Como base, é bom saber que, em média, um prédio pequeno tem seis funcionários: um zelador, um faxineiro, três porteiros para manter a portaria 24 horas e um folguista

            Avalie possíveis desperdícios de energia elétrica. Programação de elevadores e instalação de minuterias (sensores de presença) são saídas comumente adotadas.

            A instalação de hidrômetros individuais é indicada, pois incentiva a economia de água do prédio como um todo e pode representar uma economia de 20% na conta de água do prédio. Se não for possível, tome medidas como verificar vazamentos, instalar redutores de vazão ou reaproveitar a água da chuva

            Todo prédio deve ter em sua agenda de obrigações as manutenções preventivas que são bem mais baratas que as obras de reparação. Dentre essas manutenções estão a verificação do para-raio, bomba de água, elevadores, impermeabilização, verificação de vazamentos. Tudo isso evita obras de grande porte e, consequentemente, grande custo

            O condomínio deve evitar que inadimplentes se tornem crônicos. Isso acontece quando não pagam cinco cotas ou mais. A primeira recomendação é procurar o inadimplente para tentar fazer um acordo amigável dentro das regras do condomínio. A partir da terceira cota em atraso, recomenda-se entrar com processo judicial de cobrança

            Estimule em seu condomínio uma gestão participativa. Os condôminos podem fazer parte do dia a dia da gestão sugerindo ideias interessantes e alternativas inteligentes para a gestão do orçamento do condomínio.

            Vivam a vida, e até a próxima.

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Ivan Horcaio

Professor e palestrante com mais de 20 anos de atuação nas áreas do Direito Condominial e Direito Imobiliário, é autor de mais de 12 obras jurídicas, atuando junto a condomínios, administradoras de condomínios e imobiliárias

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